sábado, 22 de fevereiro de 2014

DÚVIDA EXISTENCIAL: SER DE ESQUERDA É SER NAZISTA? OU A TURMA QUE NÃO LEU É A MESMA QUE NÃO GOSTOU ?

livros queimando


Nos diversos grupos de debates na internet não há ninguém mais odiado que o Olavo de Carvalho.


É perfeitamente justo e aceitável ler um artigo e discordar radicalmente de suas teses,



mas não é este o caso. A grande maioria que o odeia é composta de pessoas com uma curiosa atitude: 

NÃO LEU E NÃO GOSTOU. 

Simples assim. Recentemente um grupo predominantemente de esquerda discutia sobre Nazismo e eventuais

 diferenças e semelhanças com o socialismo, repudiando totalmente esta proximidade. Propus a leitura de um artigo com uma breve citação de “Difamação pura e simples” deste odiado personagem e imediatamente começou uma chuva de agressões gratuitas. As agressões eram contra o Olavo e contra quem o tivesse lido!

Eu e outro debatedor, Victor Chamum, nos esforçamos para que alguém lesse o texto e apontasse seus erros, suas inconsistências. Nada. Insistimos. Nada além de impropérios. Depois de muitas ofensas, uma debatedora pergunta:
“Agora, uma dúvida: não estávamos falando sobre nazismo?”

Foi a melhor pergunta possível naquele momento, pois me permitiu formular uma resposta que sintetizava tanto o tema em discussão quanto as práticas que os diversos debatedores adotavam.

Segue a resposta:

“Sim, estávamos e estamos falando sobre nazismo, e de uma maneira que se revelou bastante didática em relação à espinha dorsal do tema.

Uma das práticas tradicionais do Nazismo é queimar livros, queimar ideias discordantes. É o que várias pessoas estão fazendo aqui, simbolicamente, com Olavo de Carvalho.

Num dos textos que sugeri, de Eça de Queiroz, lê-se: “Mas que diremos do movimento na Allemanha? Que em 1880, na sabia e tolerante Allemanha, (…) é realmente a uma perseguição de judeus que vamos assistir, das boas, das antigas, das Manuelinas, quando se deitavam á mesma fogueira os livros do Rabbino e o proprio Rabbino, exterminando assim economicamente, com o mesmo feixe de lenha, a doutrina e o doutor.”

Ora, neste grupo temos vários praticantes desta ancestral arte de eliminar o discordante, e curiosamente são todos de esquerda.  Fica comprovada assim, de forma muito clara, a proximidade entre práticas socialistas e nazistas no quesito intolerância, o que, aliás, também foi observado por Hannah Arendt em escala muito maior.”

É por esta razão que o odiado Olavo de Carvalho, em “A verdadeira direita” diz: “o que há de mais radicalmente oposto ao socialismo é a democracia liberal. Esta é a única verdadeira direita. É mesmo a extrema direita: a única que assume o compromisso sagrado de jamais se acumpliciar com o socialismo.”

Para encerrar, lembro que a prática da eliminação do discordante, do dissidente, do “opressor” é comum aos totalitarismos, sejam de esquerda, sejam de direita. A questão, por tanto, é: por que mesmo diante de sintomas tão eloquentes, muitos “doutores” não os reconhecem? Mais ainda: porque continuam prescrevendo intolerância onde deveriam prescrever simplesmente democracia?
Alguém se habilita a explicar?

Artigo de Paulo Falcão.
PS – A citação recomendada no debate foi esta:  “a diferença de esquerda e extrema esquerda é de graus e de meios, a de direita e extrema direita é de natureza, de fins e de valores.

O esquerdista torna-se extremista quando quer realizar, por meios revolucionários e violentos, o mesmo que a esquerda moderada busca fazer devagar e pacificamente: a expansão do controle estatal na economia, visando à debilitação e, no fim, à extinção da propriedade privada dos meios de produção.

Totalmente diversa é a relação entre direita e extrema direita. Ser de direita, ou liberal, é ser a favor da economia de mercado, das liberdades civis e da democracia constitucional (a versão conservadora defende essas mesmíssimas políticas, mas o faz em nome da tradição judaico-cristã, que para o liberal não significa grande coisa). 

Se por extrema direita se entende aquilo que o vocabulário corrente e a esquerda em especial designam por esse nome, isto é, o fascismo e o nazismo, o fato que estou assinalando salta aos olhos da maneira mais clara e inequívoca: ser de extrema direita não é querer mais economia de mercado, mais liberdades civis, mais democracia constitucional 

— é querer acabar com essas três coisas em nome da ordem, da disciplina, da autoridade do Estado, às vezes em nome do anticomunismo, do combate à criminalidade ou de qualquer outro motivo. Não houve um só governo conhecido como de extrema direita que não fizesse exatamente isso. 

A conclusão é óbvia: passar da esquerda à extrema esquerda é somente uma intensificação de grau na busca de fins e valores que permanecem idênticos em essência. Passar da direita à “extrema direita” é mudar de fins e valores, é renegar o que se acreditava e, em nome de alguma urgência real ou fictícia, empunhar a bandeira do que se odiava, se desprezava e se temia.”

DIFAMAÇÃO PURA E SIMPLES

 Os jornalistas da direita vêm ganhando algum espaço, mas  a esquerda no Brasil está tão acostumada a mandar sozinha na mídia, que se escandaliza e espuma de raiva. Em qualquer país decente, direita e esquerda repartem  os meios de difusão. No Brasil, quando a direita salta dos 2% para os 5%, já é o alarma geral, em tons sinistros de quem anuncia um golpe de Estado.



 Um dos indignados, o indefectível Paulo Moreira Leite, mente como um vendedor de terrenos submarinos ao dizer: "Quem estava no centro foi para a direita. Quem estava à direita foi para a extrema-direita." Constantino, Azevedo e Magnoli, desde que estrearam como colunistas, não mudaram de convicções em nada. Foram os censores esquerdistas, como o próprio Moreira Leite, que, estreitando cada vez mais a área do direitismo permitido na mídia, passaram a rotular simples liberais de "extremistas de direita". Moreira Leite confunde a régua com o objeto medido.

Mais obsceno  é Antonio Prata, da Folha, que, imaginando fazer sátira, escreve: "Como todos sabem, vivemos num totalitarismo de esquerda. A rubra súcia domina o governo, as universidades, a mídia, a cúpula da CBF e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, na Câmara" – uma descrição bem exata e literal do estado de coisas. Tanto que vários leitores levaram a afirmativa a sério e a aplaudiram. O autor teve de avisar que pretendera fazer piada. No meu tempo de ginásio, quem  ignorasse que não se satiriza a verdade tiraria zero de redação. Mas, para expulsar os liberais e conservadores da mídia, vale até um colunista se expor ao ridículo. 

Voltando ao sr. Moreira Leite, sei que é inútil tentar levar alguém como ele a um debate sério, mas, para dar uma idéia de quanto o uso atual do rótulo de "extrema direita" na mídia é abusivo, notem esta distinção, que toda a ciência política do mundo confirma: a diferença de esquerda e extrema esquerda é de graus e de meios, a de direita e extrema direita é de natureza, de fins e de valores.

O esquerdista torna-se extremista quando quer realizar, por meios revolucionários e violentos, o mesmo que a esquerda moderada busca fazer devagar e pacificamente: a expansão do controle estatal na economia, visando à debilitação e, no fim, à  extinção da propriedade privada dos meios de produção. Totalmente diversa é a relação entre direita e extrema direita

Ser de direita, ou liberal, é ser a favor da economia de mercado, das liberdades civis e da democracia constitucional. Se por extrema direita se entende aquilo que designam por tal o vocabulário corrente e a esquerda em especial,  isto é, o fascismo e o nazismo, o fato que estou assinalando salta aos olhos de maneira  inequívoca: ser de extrema direita não é querer mais economia de mercado, mais liberdades civis, mais democracia constitucional  -- é querer acabar com essas três coisas em nome da ordem, da disciplina, da autoridade do Estado, às vezes em nome do anticomunismo, do combate à criminalidade ou de qualquer outro motivo. Não houve um só governo conhecido como de extrema direita que não fizesse exatamente isso. 

A conclusão é óbvia: passar da esquerda à extrema esquerda é apenas  uma intensificação de grau na busca de fins e valores que permanecem idênticos em essência. Passar da direita à "extrema direita" é mudar de fins e valores, é renegar o que se acreditava e, em nome de alguma urgência real ou fictícia, empunhar a bandeira do que se odiava, se desprezava e se temia. Constantino, Azevedo, Magnoli não fizeram isso. São odiados  porque defendem o que sempre defenderam. Por isso o único meio de difamá-los é trocá-los de classificação, alistá-los à força no exército dos seus inimigos, identificá-los com tudo o que abominam e combatem.

Eis por que uma frase como a do sr. Paulo Moreira Leite – "passaram da direita à extrema direita" – é um expediente difamatório, não uma afirmação séria, digna de um intelecto respeitável. 

Olavo de Carvalho é jornalista e professor de Filosofia
A verdadeira direita: http://www.olavodecarvalho.org/semana/verdadireita.htm






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